Resenha solicitada pela professora Liliane Fernandes no 5º período
Pires, Maria de Fátima Novaes. O crime na cor: escravos e forros no alto sertão da Bahia (1830-1888)-São Paulo 1999
O título do livro ’’O crime na cor’’foi de grande importância e deve ser usado sempre como referência para a obra, é bastante claro o fato de que ser negro neste período e neste contexto histórico era um crime que em muitos casos descritos era punido com a morte.
A autora apesar de não encontrar fontes que definam o quotidiano dos escravos e forros no sertão baiano sem um olhar de estrangeiro e também por haver pouca pesquisa acadêmica sobre o assunto foi buscar através de 111 processos criminais a base para seu trabalho de dissertação que foi divido em três partes, na primeira parte foi analisado o panorama geral da região, na segunda a criminalização foi o tema e por último a relação entre escravos e senhores.
A importância dos tropeiros (forros, libertos, estrangeiros) é bem evidenciado pela autora, o transporte das mercadorias no sertão era um trabalho estafante, devido às grandes distâncias percorridas.
Os escravos e forros desempenhavam inúmeras funções, partilham espaços comuns no trabalho e em suas diversões, os plantéis que eram considerados médios ou pequenos com até 18 escravos por proprietário que utilizavam a dominação senhorial e praticas repressivas para maior controle social que era feita através de leis chamadas de posturas onde escravo tinha inúmeras proibições incluindo direito de ir e vir e o toque de recolher, onde o senhor era o verdadeiro interessado, pois era seu trabalhador que poderia ser punido.
A descoberta feita através destes processos de que no sertão baiano não havia feitores e que a pena de morte era utilizada para crimes cometidos por escravos torna a escravidão no sertão como uma das mais cruéis e a descrição dos castigos afligidos por senhores é de uma atrocidade sem limite onde a morte para muitos era tida como um prêmio.
A resistência escrava não era diferente de outras regiões do Brasil, o negro nunca foi passivo como alguns autores costumam definir e a autora faz uma critica ao autor Gilberto Freire e Senzala sobre esses relacionamentos que é descritos como benevolente por parte dos senhores, é bom sempre lembrar que existe os dois lados, nada é definitivo.
O fato do sertão baiano nesta obra se referir a duas regiões distintas, Rio das Contas e Caetité e estarem descritas ao mesmo tempo requer muita atenção do leitor, é necessário sempre dar uma segunda olhada para ver de onde esta se falando, ás vezes refere-se á região como um todo.
Algumas vezes as crueldades impostas aos escravos e descritas pela autora sem meias palavras, baseada nos processos criminais é difícil de aceitar, mesmo sabendo que são verdadeiras principalmente tendo conhecimento que muitos destes castigos eram feitos dentro da lei.
Que legal essa matéria,pois se refer a Rio de COntas.Você sabia que na comunidade de Barra e Bananal so morava negros descendentes de escravos e proximo na comunidade de Mato Grosso os brancos descendentes de portugueses,eles nao se misturavam,olha que isso nao tem muito tempo não.
ResponderExcluirÉ triste e interessante esta matéria. È uma dura realidade mas faz parte da nossa história.Onde os escravos em qualquer lugar que fosse tratado como tal, sofria os castigos e descriminações.
ResponderExcluirO CRIME NA COR É UMA OBRA FANTÁSTICA, TRABALHAR A IDÉIA DE QUE O EX-ESCRAVO CONTINUAVA SENDO UM CRIME DEVIDO A SUA COR É UMA QUESTÃO QUE A AUTORA ABORDA COM PROPRIEDADE. É JUSTAMENTE A STUAÇÃO DAQUELE PERÍODO, AGORA OS EX-ESCRAVOS QUE ACREDITAVAM TER GANHADO A SUA LIBERDADE VIVIAM COM O PESOS NA COR DE SUA PELE. ERAM PERSEGUIDOS E AINDA HOJE, VEMOS RESQUÍCIOS DESSAS ATITUDES EM NOSSA SOCIEDADE. DEVEMOS PARAR E REFLETIR QUE SERES HUMANOS REALMENTE SOMOS...
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