Resenha do livro “A igreja Católica na América Espanhola” de J.H. ELLIOT, solicitada pela professora Kylma Kram.
A igreja Católica na América Latina Colonial é descrita pelo autor baseada principalmente no que foi descrito pelos clérigos que aqui chegaram e não pela suntuosidade dos templos que foram construídos nesse período e nem pelas riquezas adquiridas pelos padres.
O domínio da igreja católica na América Latina no período colonial e o início do declínio dessa mesma na Europa com o aparecimento do protestantismo foi colocada como se fosse uma recompensa pelo espaço perdido durante este período na península ibérica.
A obrigação de transformar em católico os nativos que aqui viviam era o principal objetivo da Coroa e dos padres que desembarcavam na nova terra principalmente porque a Coroa de Castela assumiu o controle da igreja católica a partir de 1524 onde indicava aos cargos eclesiásticos, pagava salários e construía igrejas, mosteiros e hospitais com os dízimos cobrados; a igreja passou a servir ao Estado o que a deixou em situação desconfortável apesar de muitos eclesiásticos serem a favor de servir ao rei e não ao papa; havia também os que não concordavam com o tratamento dado aos nativos o que gerou inúmeros conflitos durante o período colonial sendo que o primeiro deles foi nas Antilhas onde os índios não eram oficialmente escravos, mas eram tratados como tal, já que os colonos adquiriram direitos sobre eles.
As atividades missionárias a partir de 1540 no novo mundo ganharam uma nova feição ao ser criada a Companhia de Jesus que procurou implantar um novo cristianismo, tendo sida criada com um ideal reformador possuindo homens devotados na divulgação do evangelho e profundo conhecedores de teologia o que os tornou defensores dos índios.
A importância dos jesuítas na educação na América colonial e as bases lançadas para o crescimento do ensino no século XVII foi de extrema importância, mesmo que no início os interesses religiosos fossem primordiais, as necessidades do clero era a formação de teólogos e filósofos.
As ordens religiosas femininas segundo o autor não foram muito importantes, não tinham função missionária a finalidade principal era formar moças para o casamento e aceitar como membro efetivo as solteiras, a discriminação em relação às nativas existia sendo que a participação das índias nas ordens se dava apenas através do trabalho.
A igreja na América colonial tornou-se uma cópia da igreja da Península Ibérica no século XVII e não aceitava a sobrevivência das religiões pagãs que persistiam em muitas regiões intensificando a pregação contra a idolatria e usando processos inquisitórios, mesmo que as utilizações desses processos fossem para outros grupos já que não possuíam jurisdição sobre índios.
A inquisição na América espanhola foi também contra negros, escravos e homens livres além de judeus, a religião africana não era aceita pela igreja católica que a via como uma religião satânica e que deveria ser banida o que não foi conseguido, pois a sobrevivência dessas religiões foi efetuada através da fachada da aceitação do catolicismo.
O crescimento da igreja e o enriquecimento dos jesuítas trouxeram temores para reis da Espanha já que os padres estavam mais forte do que próprio estado o que fez com que os reis lançassem uma campanha anti jesuítica para derrubar o poder do estado, fato que perdurou por todo o século XIX.
A predominância no texto é para o México e América Central a América do Sul foi relevada a um segundo plano na maior parte do tempo, a um leitor mais desatento parecerá que o tema é principalmente sobre a igreja constituída na Espanha e não sobre a igreja católica na Colônia que na verdade era quem realmente governou quase todo o período colonial, sendo que a Companhia de Jesus foi criada para fortalecer a igreja católica quando a mesma perdia terreno para a Reforma Religiosa que ocorria na Europa.
Para falar da igreja no novo mundo é preciso acrescentar que mesmo com a intensa dominação do catolicismo outras religiões foram mescladas tornando a igreja e seus missionários algo bem diferente, tanto Roma quanto a Espanha estavam do outro lado do Atlântico.
Este é um vasto conteudo que desperta o interesse de todos pois pode ser consideradoum marco na historiografia do mundo.
ResponderExcluirComo pano de fundo político não só, mas, também como artificial de implantação cultural e controle. Ferramenta útil se notarmos que a imposição da cultura européia é o passo fundamental para atender as finalidades dos conquistadores.
ResponderExcluirO DOMINIO RELIGIOSO DOS JESÚITAS,DOMINICANOS E FRANCISCANOS NA AMÉRICA FOI MUITO IMPACTANTE.OS NATIVOS TIVERAM SUA CULTURA DESTRUIDA PRINCIPALMENTE COM A IMPOSIÇÃO DE OUTRO CREDO E A DESTRUIÇÃO DE SEU ÍDOLO.
ResponderExcluirMuito bom.
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