NEGROS URBANOS EM SÃO PAULO (1850-1880)
Somente recentemente a historiografia tirou do anonimato a figura do negro e procurou desmitificar a imagem de violento, brigão e outros adjetivos depreciativos que lhe são atribuídos mostrando que seus valores sempre foram relegados ao anonimato devido a História ter sido apresentada por muito tempo apenas pelo lado dominante.
Utilizando principalmente processos criminais do período a autora demonstrou que a fala do negro foi ouvida mesmo que de forma pequena e precisamente na maioria dos casos para procurar justificar seu comportamento considerado desviante, com a chegada do imigrante o processo de branqueamento foi iniciado, mas não melhorou os preconceitos existentes, a periferia foi onde passou a ser sua moradia e a confirmação de sua exclusão da cidade, seu inconformismo com as muitas situações vividas gerou atitudes por vezes extremas, onde o crime contra seu senhor por vezes era utilizado, segundo escravocratas da época esses crimes sempre se justificariam por ser legitima defesa, ao contrário dos senhores que o simples fato de ser negro já era um meio para justificar qualquer ato negativo, fortalecendo um preconceito que se perpetuaria e atravessaria gerações chegando até os dias atuais.
A resistência dos negros contra a situação de escravidão em que viviam ia além dos crimes cometidos, através de seus cultos religiosos, suas irmandades, suas danças, seus alimentos e muitas outras coisas usadas que serviam como arranjos para a preservação de sua cultura, inclusive o fato de utilizar a rua como espaço de sociabilidade, ter seus próprios territórios e marcar sua presença em festas religiosas dos brancos mesmo estando na entrada das igrejas, da cidade, acompanhando as procissões pelos lados, pelo fim, comemorando acontecimentos que lhes eram indiferentes, era a maneira peculiar de dizer “Estou aqui”, continuou lutando pela sobrevivência mesmo que isso signifique aprender o oficio do senhor, utilizando a prostituição e a prática de curandeirismo como meio para comprar sua alforria, com estas estratégias utilizadas foi possível o resgate histórico de suas lutas pela sobrevivência em um mundo que era marcado pela hostilidade.
Referência:
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez, Sonhos Africanos e Vivências Ladinas, Editora Hucitec Historia Social USP, São Paulo, 1998
O ser Negro hoje é um aspecto em alta na mídia,na educação.Mais a figura do negro sempre foi associada a marginalidade,pobreza dentre outros aspectos perjorativo.Hoje critica-se politicas publicas criadas para negro, mais estes não levam em consideração os anos de preconceito que ao contrario do que muitos acreditam ou querem acreditar é muito presente no cotidiano do negro na atualidade.
ResponderExcluirPassado três século da escravidão no Brasil,e os negros continuam sendo uma das parcelas mais pobre da sociedade brasileira.O negro hoje tem que lutar contra os estereótipos que os marginalizam.
ResponderExcluirRealmente o negro hoje tem lutado por espaços antes tirados por pessoas que desconsideravam a situação humana e tratavam como "incapazes" e até mesmo "coisificados". É certo de que a luta tem de continuar, e mostrar através da resistências que todos somos iguais enquanto seres humanos.
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